IA ainda não está pronta para o trabalho de escritório, aponta novo estudo

Um novo estudo revela que a Inteligência Artificial ainda enfrenta dificuldades para executar tarefas complexas no trabalho de escritório. Entenda os limites atuais da IA e o que isso significa para empresas e profissionais.

Lindomar braga

1/25/20264 min ler

Profissional trabalhando com tecnologia e gráficos
Profissional trabalhando com tecnologia e gráficos

Novo estudo revela limites da Inteligência Artificial no trabalho de escritório

A Inteligência Artificial tem sido apresentada como a grande força transformadora do mercado de trabalho moderno. De relatórios automatizados a assistentes virtuais corporativos, a expectativa criada em torno da IA sugere um futuro no qual boa parte das atividades de escritório seria executada por sistemas inteligentes, reduzindo custos e aumentando a produtividade. No entanto, um novo estudo divulgado recentemente aponta que essa realidade ainda está distante.

De acordo com uma análise publicada pelo portal Digital Trends, mesmo os modelos de IA mais avançados do mercado apresentam dificuldades significativas quando colocados diante de tarefas reais e complexas do ambiente corporativo. Os resultados chamam a atenção e ajudam a trazer mais equilíbrio a um debate frequentemente marcado por previsões otimistas demais.

O que o estudo analisou

O levantamento foi conduzido pela Mercor, empresa especializada em avaliação de desempenho de sistemas de Inteligência Artificial. Diferente de testes tradicionais — que costumam medir a capacidade da IA de gerar textos criativos, responder perguntas objetivas ou resolver problemas matemáticos — o estudo focou em simulações práticas do dia a dia de um escritório.

O benchmark utilizado, chamado de APEX-Agents, foi desenvolvido para testar como agentes de IA lidam com tarefas que exigem:

  • Leitura e interpretação de e-mails corporativos

  • Análise de documentos em PDF

  • Consulta a planilhas e bases de dados

  • Tomada de decisão com base em múltiplas fontes de informação

  • Execução de tarefas em várias etapas, com objetivos claros

Esse tipo de atividade representa a rotina de profissionais como advogados, analistas financeiros, gestores, administradores e consultores — funções frequentemente citadas como possíveis alvos de automação no curto prazo.

Resultados abaixo do esperado

Os dados revelados pelo estudo são claros: mesmo modelos de ponta, como o GPT-5.2 e o Gemini 3 Flash, apresentaram taxas de acerto inferiores a 25% ao tentar concluir corretamente as tarefas propostas.

Na prática, isso significa que, em três de cada quatro tentativas, a IA falhou em compreender totalmente o problema, integrar as informações necessárias ou executar corretamente a sequência de ações exigida. Para um ambiente corporativo, onde erros podem gerar prejuízos financeiros, jurídicos ou estratégicos, esse nível de imprecisão ainda é considerado inaceitável.

Por que a IA ainda enfrenta tantas dificuldades

Limitações no entendimento de contexto

Uma das principais fragilidades identificadas é a dificuldade da IA em lidar com contextos complexos e dinâmicos. Em ambientes reais de trabalho, as informações raramente estão organizadas de forma linear. Dados importantes podem estar espalhados entre e-mails antigos, anexos, mensagens internas e documentos extensos.

Enquanto humanos conseguem cruzar essas informações, identificar o que é relevante e descartar ruídos, a IA ainda demonstra limitações para realizar esse processo de forma confiável e consistente.

Execução de tarefas em múltiplas etapas

Outro ponto crítico é a execução de tarefas que dependem de uma sequência lógica de ações. Embora a IA seja eficiente em responder perguntas isoladas, ela tende a falhar quando precisa manter coerência ao longo de várias etapas, especialmente quando decisões intermediárias influenciam o resultado final.

Esse tipo de raciocínio encadeado continua sendo um diferencial humano importante no ambiente corporativo.

Confiabilidade ainda insuficiente

Brendan Foody, CEO da Mercor, descreveu o estágio atual da IA de forma direta: os sistemas se comportam como um “estagiário pouco confiável”. Eles podem ajudar em tarefas pontuais, mas ainda não apresentam a consistência necessária para assumir responsabilidades críticas sem supervisão humana.

Essa avaliação reforça a ideia de que, no cenário atual, a IA funciona melhor como ferramenta de apoio, e não como substituta de profissionais experientes.

Evolução rápida, mas ainda incompleta

Apesar das limitações apontadas, o estudo também destaca um ponto positivo: a evolução dos modelos de IA tem sido acelerada. Há pouco mais de um ano, sistemas semelhantes apresentavam taxas de acerto entre 5% e 10% em tarefas complexas. O salto para mais de 20% indica avanços significativos em um curto período.

Esse ritmo sugere que a tecnologia continuará se desenvolvendo rapidamente, mas ainda enfrenta desafios estruturais antes de atingir um nível de maturidade compatível com o trabalho de escritório em larga escala.

O papel real da IA no ambiente corporativo atual

Na prática, a adoção da Inteligência Artificial nas empresas tem seguido um caminho mais pragmático. Em vez de substituir profissionais, a tecnologia vem sendo utilizada para:

  • Automatizar tarefas repetitivas

  • Ajudar na organização de informações

  • Acelerar pesquisas e análises iniciais

  • Apoiar a tomada de decisão humana

No Brasil, por exemplo, estudos indicam que a maioria dos profissionais já utiliza alguma ferramenta de IA no dia a dia, especialmente para aumentar produtividade e otimizar processos. Ainda assim, a presença humana continua sendo essencial para validação, interpretação e decisões estratégicas.

O que empresas e profissionais devem observar

Os resultados desse estudo servem como um alerta importante para organizações que pretendem investir em automação total. Mais do que adotar tecnologia de ponta, é fundamental:

  • Treinar equipes para usar IA de forma estratégica

  • Integrar sistemas inteligentes aos processos existentes

  • Manter supervisão humana em tarefas críticas

  • Entender que tecnologia é suporte, não solução isolada

Empresas que compreendem esse equilíbrio tendem a extrair mais valor da IA sem comprometer qualidade, segurança ou confiabilidade.

FAQ – Perguntas frequentes sobre IA no trabalho de escritório

A Inteligência Artificial já pode substituir profissionais de escritório?

Não. Embora a IA seja capaz de auxiliar em diversas tarefas, os estudos mostram que ela ainda não consegue executar atividades complexas com precisão suficiente para substituir profissionais humanos.

Por que a IA erra tanto em tarefas corporativas?

Porque essas tarefas exigem interpretação de contexto, integração de múltiplas fontes de informação e tomada de decisão em várias etapas — áreas nas quais os humanos ainda são superiores.

Vale a pena investir em IA hoje?

Sim, desde que o investimento seja feito com expectativas realistas. A IA funciona muito bem como ferramenta de apoio e ganho de produtividade.

A IA vai evoluir a ponto de assumir mais funções no futuro?

Especialistas acreditam que sim, mas esse processo deve levar anos. A evolução é rápida, porém ainda incompleta para aplicações corporativas críticas.

Quais habilidades humanas continuarão sendo essenciais?

Pensamento crítico, análise contextual, criatividade estratégica, comunicação e tomada de decisão continuarão sendo diferenciais importantes no mercado de trabalho.